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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Porque nossos entes queridos se vão?



Hoje, dia 02 de novembro, quando muitos buscam a lembrança de seus entes queridos, achei propício compartilhar uma experiência pessoal que talvez traga um pouco de alento às pessoas que por vezes se perguntam: Por que Deus permitiu que meu ente querido se fosse?

O meu entendimento acerca da experiência que vou relatar, não tem a ousadia de ser “A” explicação, mas ser talvez, uma outra forma de ver esses acontecimentos trágicos que somos acometidos. Talvez eu me equivoque em algum detalhe (me perdoem os parentes), mas entenderão que o importante é o contexto da história.

Quando eu tinha 6 anos, logo após o meu aniversário, o meu pai faleceu. Foi acidental, e as circunstâncias do acidente não são relevantes para o que quero transmitir aqui, mas talvez eu faça um outro texto só para falar sobre isso, dadas as peculiaridades do acontecido, mas enfim, ele faleceu.
Minha mãe, após algum tempo, acabou conhecendo um senhor, que acabou sendo o companheiro pelo resto da vida dela. Ocorre que este senhor, morava numa grande casa, com muitos quartos, com os pais e algumas irmãs, e nós fomos morar lá também. Com o passar do tempo, o pai dele faleceu, algumas irmãs mudaram para outra cidade, e a casa ficou mais vazia.

Eis que em dado momento resolvemos mudar para Campo Grande, pois havia promessas de emprego e uma situação melhor de vida. Mudamos, e as coisas não foram exatamente como se imaginava (normal, na vida nem sempre é), mas entre os vários trabalhos que o meu padrasto arrumou, o de maqueiro em um hospital foi crucial para mudar a vida da minha tia, irmã da minha mãe.

Minha tia já havia tentado algumas vezes ter um filho, mas infelizmente, havia perdido todos, em grande parte pelo fato de que na cidade que morava não tinha recursos suficientes para ajudá-la ter a criança.

Eis que, pelo fato do meu padrasto ter adquirido algum conhecimento e ter alguns benefícios por ser funcionário do hospital, vislumbrou-se a possibilidade de que minha tia viesse e fizesse um tratamento adequado para que conseguisse ter a criança. Eles mudaram para Campo Grande, e então minha tia finalmente conseguiu ter o tão sonhado filho, uma menina, que hoje também já tem um filho, então hoje, minha tia, desfruta da convivência de uma filha e neto.

Vocês podem estar se perguntando: “Tá! Mas e aí?”. O fato é que se relembrarmos o acontecimento inicial dessa história, teremos o falecimento do meu pai. Desse modo, posso dizer, pelos acontecimentos, que o meu pai precisou falecer, para que a minha prima pudesse nascer.
Alguns podem dizer: “Aaaahhh! Mas foi coincidência!”. Eu não acredito em coincidências. Talvez se meu pai não tivesse falecido, ainda poderiamos estar na minha cidade natal, meus tios também, e ainda sem um filho. Mas o fato é que não foi isso que aconteceu.

Então, dentro deste ponto de vista, uma das opções de resposta à pergunta feita no primeiro parágrafo desse texto, pode ser que Deus permite que os nossos entes queridos partam para que a vida siga seu curso, amadureça e se desdobre naquilo que precisa acontecer. Pode até parecer vago, mas não é, e na grande maioria das vezes só entenderemos com o passar do tempo, na minha história foram anos.

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." Eclesiastes 3:1

As vezes os acontecimentos se desdobrarão em outro núcleo familiar, como foi no meu caso; pode ser com apenas um membro da família; talvez o ente que se foi era o provedor e a família precisará amadurecer para viver com suas próprias pernas, enfim, as possibilidades são muitas, e precisamos estar atentos e não sucumbirmos à tristeza e depressão.

É muito triste quando perdemos um ente querido, e as vezes dois ou mais de uma vez, e precisamos chorar as nossas perdas, e é absolutamente normal ficar triste, mas pelo menos para nós cristãos, temos a promessa que Deus sempre estará conosco nos fortalecendo no caminho, sozinhos ou com apoio dos familiares que ficam, dos amigos e até de desconhecidos, afinal Êle fará o que for preciso para nos consolar e ajudar.

Fique atento aos acontecimentos!

Paz!


Sandro Añez

quinta-feira, 10 de março de 2016

Quanta autenticidade!!!!!


Ao tatear as mídias digitais a procura de notícias que não tratassem de apelações partidaristas ou que escorressem sangue, me deparei com o comentário do Pai da ex-BBB Ana Paula, expulsa do programa por esbofetear a cara de outro participante no referido reality, ele dizia: “Ela é muito autêntica”.
Fiquei avaliando por alguns minutos a quantidade de vezes que nos deparamos com situações na mídia artística onde as pessoas são alcunhadas com esses apelidinhos amenizativos, percebi que ao longo do tempo foram inúmeras personalidades que ganharam da mídia esses lucrativos nomes, sim, lucrativos, afinal a mídia se alimenta daquilo que aumenta a audiência, polêmicas, desgraças e bafões, seja a “saudosa” velhinha que de dez palavras, sete eram palavrões e três de duplo sentido, mas agraciada com a alcunha de irreverente, seja o fofo apresentador que quando não vai com a cara do entrevistado o desqualifica e humilha, mas conhecido pela sua “inteligência”, seja o apresentador gritante, de elocubrações dúbias, promíscuas e satíricas, desfilando com seus “big ben’s” de pulso e é chamado de excêntrico.
Fico lembrando que a única vez que eu tentei ser “autêntico” com minha mãe, levei um tapão na boca do qual me lembro até hoje. Dou graças a Deus por isso, porque naquela hora minha amada e doce mãe, me ensinou um princípio que carrego comigo até hoje, limites. Exatamente os limites que percebo estarem se tornando demasiadamente elásticos nas crianças, e hoje, acabando por tornarem-se esses adultos, irreverentes, excêntricos, etc. Adultos esses que não respeitam o limite do outro, desbocam-se em verborragias achando que são as pessoas mais certas do mundo e os que o cercam não fazem mais que a obrigação de escutá-los e acharem lindo o tear de impropérios vomitados de seus cérebros deusificados. Pior ainda quando isso vem acompanhado do aval paterno ou materno que acham linda a atuação da sua prole.
Mencionei a mimadinha imatura do BBB por se tratar da polêmica do momento, mas nem  precisamos de exemplos televisivos, basta olharmos ao nosso redor para percebermos a quantidade de pessoas que cultivam essa personalidade “autêntica”, do “balacobaco”, do “pópópó”. Pessoas que fazem questão de mostrarem que são “fortes”, mas que na verdade escondem atrás dessas muralhas de atitudes controversas, a inépcia para o diálogo e falta de inteligência para argumentação, recorrendo ao descarrego de desrespeitos.
Cada vez mais, nessa fase decadente de sociedade que atravessamos, dizer o que pensa, da forma que quiser, é sinal de pessoa forte, destemida, vencedora, ledo engano, só mostra o despreparo de ser humano, a falta de respeito com o próximo, a dureza de coração e a altivez egocêntrica mental.
Com esses adultos não gasto meu latim, a vida cuidará de quebrá-los e remoldá-los, permitindo ou não, haja vista que os pais não se deram o trabalho de investir em suas educações morais e de valor. Preferiram achar lindo a personalidade “forte” de uma criança que decide o que quer ou não quer fazer. Psicologia moderna essa que inverte os valores de adultos e permeia as mídias com notícias espetaculosas, sangrentas e verborrágicas, providas por esses mesmos adultos inconsequentes.

Quero ressaltar que os dicionários de plantão, autêntico significar ser verdadeiro, legítimo, genuíno, fidedigno, puro, etc. Se esse lixo comportamental que permeia o mundo é a verdade e pureza para alguns, realmente nossa sociedade vai de mal a pior.

domingo, 19 de maio de 2013

Não há garantias para o amor...





Realmente não há garantias, no entanto, há promessas,e a promessa que está na Palavra de Deus no livro de Eclesiastes 4:9-12 (abra sua Bíblia e acompanhe), é uma Palavra mais que atual para os nossos dias, ela começa dizendo que é melhor serem dois do que um e os motivos são elencados logo depois:
      

  1. Prosperarão trabalhando juntos (v.9b: ...porque tem melhor paga do seu salário): É sabido que quando o casal está alinhado com seus objetivos eles conseguem conquistar muito mais coisas, porque trabalham juntos e em comum acordo estão dispostos a fazer sacrifícios e esperar, ações ambas necessárias, para alcançar aquilo que é realmente importante para a família;
  2.  Têm cuidado um com o outro (v.10: se um cair, o outro levanta o seu companheiro): Deus nos diz que quando o casal se une, com a benção dele, torna-se uma só carne, dessa forma, o que aflige um, aflige o outro, e os dois se cuidando sofrem menos porque se recuperam mais rápido;
  3. Emocionalmente sadios (v.11: ...eles se aquentarão): Quem não gosta de carinho, afeto, atenção? Principalmente o casal. A Palavra de Deus incentiva que o casal se toque, esteja mais próximo, sinta prazer, porque sabe que isso faz bem a carne e por conseqüência a mente, simplesmente porque se sentir querido e desejado, invariavelmente, nos dá mais segurança. Nos dias de hoje, se déssemos tanta atenção ao nosso cônjuge quanto damos ao nosso celular top de linha, haveria menos relacionamentos desfeitos;
  4. Serão mais fortes (v.12: se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão...): embora o versículo dispense comentários, é bom ressaltar que quando o casal está unido, com o mesmo entendimento, mesmos objetivos, amadurecendo juntos, não importam as mazelas da vida, pessoas maledicentes, falta de dinheiro, doença, eles resistirão, porque um se fortalece no outro e juntos são vencedores.

Mas o versículo 12 fecha com algo imprescindível para que tudo isso aconteça, ele diz que o cordão de 3 dobras não se arrebenta com facilidade, esse cordão é representado pelo casal e DEUS. O casal precisa permitir que Êle se faça presente para conseguir êxito nessa promessa.

Muitas pessoas hoje em dia (e desde os tempos bíblicos) tentam resolver as coisas com suas próprias forças, baseado em seus próprios valores, nem imaginam (e nem reconhecem) que quando fazemos isso, também estamos sendo influenciados pelos nossos bloqueios, traumas, mágoas, e nem sequer nos damos conta disso e quando alguém nos diz algo estamos prontos a responder: “Mas e você?” Chamamo-nos de hipócritas pois, eventualmente, não enxergamos o que eles nos falam, na vida deles, infelizmente esquecemos que a “vida deles” deveria também ser a nossa, já que estamos ou pretendemos estar uma vida inteira com a pessoa. Somos todos falhos, e Deus nesta Palavra quer nos mostrar justamente isso. Se insistirmos em nossas individualidades, fazendo prevalecer nossas vontades materiais; cuidando apenas de sim e esquecendo-se do outro; se apartando deixando de dar atenção, carinho, afeto e se negando a tomar os “remédios” necessários para restabelecer a saúde emocional; estar pronto a defender os outros e ficando contra quem diz amar, sabotando-se, é pouco provavél que tenhamos uma família forte.

É ... realmente quando assim agimos não estamos de acordo com o que Deus nos desejava e alertava nesses versículos. E assim agimos, muitas vezes, porque temos medo, medo da dor, porque mudar exige sacrifício, passar pelo deserto, e não são todas as pessoas que estão dispostas a isso. E nesse caso sim, eu concordo que o medo é um dos piores inimigos do amor e da felicidade.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013




Bullyng Familiar


Taí...se alguém me dissesse eu não acreditaria, mas após algumas situações que tenho presenciado ao longo da minha vida, percebi que essa prática remonta aos primórdios da civilização, porque sempre esteve permeando as relações familiares.
Encontramos o “modus operandi” nas mais diversas situações no seio familiar:
-> podem ser os pais que insistentemente chama o filho de burro, imprestável, vagabundo, ou ainda, que a dita prole não virará nada nesse mundão de meu Deus, e dessa forma vão solidificando na mente imatura e fértil a convicção que sua natureza é fazer a coisa errada mesmo e o mundo que se exploda (de preferência com os pais dentro, é claro);
-> pode ser aquele tio pseudo bonachão que não perde a oportunidade de provocar, tirar um sarro ou fazer aquela brincadeirinha “inocente” de mau gosto, sem graça, mas com um toque ácido e infeliz;
-> são os avós saudosistas do tempo que era possível colocar a cadeira de balanço na calçada para conversar com os amigos e que agora com o aumento da criminalidade e com a mente alimentada por programas sensacionalistas de crimes, escândalos, só vêem desgraça e infortúnio em qualquer coisa que a juventude faça, e acham que mantendo-os “encarcerados” em casa conseguirão evitar o desencaminhar nas suas vidas.
Mal sabem eles que a única coisa que conseguirão é alimentar uma insatisfação e revolta contra tudo e todos, revolta essa que aliada a imaturidade própria da juventude, poderá provocar, na primeira oportunidade de liberdade, reações impensadas, impulsivas e, na mente deles, de protesto. Infelizmente, os maiores prejudicados serão eles mesmos.
O fato é que, apesar de haver uma crescente alfabetização da população, um aumento das pessoas letradas, os “adultos”, com suas vidas corridas, estão tendo cada vez menos tempo para dialogar com seus jovens, preferem barganhar, fazer negociações materiais em troca de carinho e pseuda educação e comportamento “aceitável”. É muito mais fácil fazer isso do que a “imensa e trabalhosa” arte de dialogar.  É bem certo que estamos repetindo esse ciclo a várias gerações, e os adultos de hoje não conseguem dialogar, simplesmente porque não sabem fazê-lo, não foram educados para isso, e os que tentam, exageram nas concessões tendo sérias dificuldades para impor limites a posteriori. Alguns ainda insistem em dizer: “Eu canso de falar as coisas para esse menino!!”........essa frase me lembra uma pequena estória:
“Certa vez um professor, ministrava mais uma de suas aulas, quando em dado momento, um o interpelou questionando-o sobre o que acabara de explicar. O professor com ar de indignado, repetiu a informação, agora com mais ênfase, para ter certeza que o aluno ouvisse bem. Ao terminar, indagou ao aluno se havia entendido. O aluno calmamente respondeu:
- Professor, não adiantou o senhor explicar da mesma forma, mesmo que em tom mais alto, afinal, o meu problema não é de audição, o que eu disse é que não havia entendido, e ao repetir a informação igualmente, de nada ajudou em meu esclarecimento, dessa forma, preciso dizer, ainda não entendi.”
Você já deve ter entendido, a “moral” da estória, não é mesmo?! De nada adiantar ficar repetindo e nem GRITANDO as mesmas coisas para seus jovens, é preciso mudar a forma, o contexto, explicar de uma maneira diferente, e PRINCIPALMENTE dando exemplo. 
Invariavelmente esquecemos que aquele pirralho(a)..cresce...não apenas na sua estatura ou encorpamento, mas também na sua mente, e não raro numa velocidade que custamos a acreditar...tudo depende da motivação certa. E é bem certo que a motivação correta não é a ladainha "bullyngnesca" de sempre, que só provoca mais revolta e tristeza e ainda deixa marcas que não vemos a olho nu, mas as palavras que levem a reflexão e principalmente dando o exemplo, do contrário, crescemos repetindo ciclos de agressão e nem nos damos conta disso, acabando por desgraçar a vida de outras pessoas. E ainda tem gente que não entende porque sua família não é harmônica, porque os filhos são assim ou assados, ou ainda porque tantos familiares querem nos fritar e queimar com seus comentários infelizes.
A solução?! Com certeza não é descontar a próprias frustrações em seus filhos, sobrinhos ou netos, mas colocar o orgulho de lado e se conscientizarem que precisam de ajuda para crescerem na matéria de diálogo, resolvendo seus próprios traumas e bloqueios, sendo através de uma terapia, no campo espiritual ou qualquer outra ajuda construtiva que possam encontrar, oportunizando dessa forma o crescimento de uma juventude sadia para as próximas gerações.

terça-feira, 8 de junho de 2010

É interessante...

Tenho vivido momentos de intensa reflexão... situações, pessoas, momento, emoções.... conflitantes entre si... antagônicos... convergentes em alguns momentos e completamente distoantes em outros..... entendo que boa parte desses antagonismos partem daquilo que tenho alicerçado como valores na minha vida e outros, por vezes, pelo puro capricho da vida.

Tenho buscado estar cônscio das minhas falhas e procurado corrigi-las, desenvolvendo a minha capacidade de enxergar as causas... os motivos desencadeantes das minhas desestruturas, mas nem sempre é fácil, no entanto, o mais doloroso já consegui...reconhecer...

Percebo pessoas no meu caminho que estão acorrentadas a ostracismos emocionais, separadas de si mesmo...como expectadoras da própria vida, apenas passando...
Passar tanto tempo sozinho, ou sem desenvolver nenhuma relação profunda com alguém, pode provocar sensações de carência gigantescas regadas a doses cavalares de receios e dualismos internos...

É preciso dar a oportunidade, identificar quem e o que realmente nos faz feliz, e nos permitirmos o tentar, mesmo que eventualmente soframos os revezes, ainda assim amadurecemos e aprendemos...

Não podemos deixar que a vida pincele o nosso caminho, devemos ser os artífices na condução de nossa felicidade....

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O fórceps nosso de cada dia...


Estou nesse período, estudando para um concurso público, esse tão almejado sonho de tantas pessoas em nossa vasta nação. Eu já sou concursado, efetivo, mas quero passar em outro que me dê, evidentemente, uma remuneração melhor. Não são poucas às vezes em que me pego meio desanimado pela quantidade infindável de matérias com todas as suas complexidades, algumas destacam, aterrorizando como um verdadeiro cerberus vindo das entranhas mais baixas da terra, ávido para devorar meu cérebro. Entre essas posso citar a disciplina de raciocínio lógico.....ó céus.....minha lógica não compatibiliza com este raciocínio. E foi exatamente num desses dias de desânimo que comecei a relembrar minhas vitórias para que isso impulsionasse os meus passos.

Relembrei da segunda vitória mais importante da minha, a primeira é claro já foi a de conseguir chegar na frente de alguns milhões de espermatozóides concorrentes...he, he, he.

A segunda foi a do nascimento. Algumas curiosidades são relevantes de serem mencionadas, minha mãe, enquanto gestante da minha pessoa, simplesmente não conseguia comer, porque colocava tudo para fora quase que instantaneamente, só conseguia beber, ainda assim em condições especiais, sendo que qualquer coisa que ela fosse tomar deveria ter passado pelo freezer, e quando o líquido estivesse cristalizado à superfície, ela virava tudo de uma vez, afinal ela não se contentava apenas em beber, ela tinha que afogar com o líquido também......vai entender seu organismo e os desejos desencadeados pelo seu estado interessante.

Na ocasião do meu nascimento, fez o pior frio da história de Corumbá/MS, muitas pessoas pobres morreram de frio, e quanto a mim, o pessoal de branco decidiu me tirar, afinal eu já passava do tempo. Mas o problema é que eu estava muito bem acomodado na barriga da minha mãe, e não estava lá muito disposto a nascer. Minha mãe teve princípio de eclampsia, acompanhado de uma hemorragia que não estancava de jeito nenhum. O resultado foi que a médica que fazia o parto ficou histérica e foram obrigados a chamar um outro médico, este, também teve muito trabalho, pois eu estava com duas voltas de cordão umbilical no pescoço, ou seja, não estava afim de vir para essa terra mesmo, não sei como, mas a solução foi utilizar o fórceps para me tirar. Como minha mãe não comia quase nada, eu nasci com uma anemia grave, sendo que aos três meses, eu precisei fazer uma transfusão de sangue, e isso foi minha salvação, aos 6 meses eu já pesava doze quilos. Entre esse início da minha vida até os dias de hoje, muitas coisas já aconteceram, já estive com várias voltas de cordão de problemas no pescoço, já fui arrancado a contra gosto pelo velho e conhecido fórceps diversas vezes no meu aprendizado, muitas vitórias e fracassos se sucederam, mas o mais importante que guardo destes episódios, é que em determinados momentos de nossas vidas, nos vemos em situações que querem nos obrigar a sair da barriga da mamãe, de nossa zona de conforto, e acabamos lutando contra, mesmo que de forma inconsciente. Isso acontece até mesmo com os perfis mais desafiadores, afinal gostamos do conforto, do bem estar, e lutamos mais ainda quando tudo aquilo que demoramos eras para conquistar, está ameaçado por qualquer que seja o motivo. Mas eu entendo hoje que ciclicamente, somos compelidos, pela vida, pela economia, pelas pessoas, por Deus, a estarmos nos renovando, metamorfoseando, para as novas etapas que trilharemos. Já vejo as mudanças com nova perspectiva, o fórceps não é tão mais necessário. Desse modo, olho para o céu e agradeço pela minha vida, minhas experiências, minhas cabeçadas, minhas vitórias, meus filhos...tudo me impulsiona para a frente e o tempo é meu parceiro.

Ela está ali


Cheguei de uma pequena viagem que fiz a casa da minha vó paterna que fica no interior do estado de São Paulo, dessa vez o objetivo foi levar meus filhos para conhecê-la, afinal é a bisavó deles.

São interessantes essas minhas incursões a casa da minha avó. Tomando um café na casa da minha prima, nos pegamos analisando minhas visitas, e descobrimos que elas são coincidentemente cíclicas, isso porque a primeira vez que fui visitar a minha vó, estava com cerca de 4 anos, a segunda estava com 13 ou 14, a terceira já estava casado com mais ou menos 25 anos e agora com 37, ou seja, as minhas visitas são de década em década, até brincamos que a próxima vez que visitá-los já serei avô. As razões para essa demora no retorno são diversas e conhecidas pela maioria das pessoas que lêem essa história: falta de tempo, filhos (nascimento, muito pequenos, férias não coincidentes), FALTA DE GRANA, falta de priorização, etc.

Não me lembro muito bem da minha primeira visita, mas recordo da minha vó preparando uma gemada pela manhã, colocando um pouco de farinha pra engrossar, era uma delícia......que salmonella que nada..... com 4 anos era o que menos me preocupava. Lembro-me também de brincar a beira do rio Paraná, de sunguinha, catando pedrinhas (naquela época o rio tinha de uma margem a outra cerca de 2km, hoje por conta da barragem, está com mais de 13km), meu tio Zezão, militar reformado da gloriosa Marinha, também tinha um negócio de barcos, alugava-os para pesca, passeios, etc., ele ficava a maior parte do tempo na beira do rio, numa casa de madeira no estilo palafita, dormi várias vezes nessa casa, tinha um pouco de medo, a noite ela se tornava um pouco sombria, um silêncio ensurdecedor que só era quebrado pelo barulho das ondas do rio quebrando na margem e pelos cacarejos e outras onomatopéias dos animais que meu tio criava para consumo. Lembro ainda de um passeio de barco onde ele me deixou guiar o leme....quase bati na ponte.....mas valeu.

Interessante.........da visita aos 14 não me lembro praticamente de nada, meu tio me mostrou uma foto dessa época, não lembro nem da roupa que eu usava na foto....muito estranho.

Uma visita acidental, é assim que posso caracterizar o meu retorno a Pres. Epitácio aos 25 anos. Naquela época eu fazia um trabalho de troca de produtos (SAC) para algumas multinacionais, e calhou de fazer um trabalho numa cidade bem próxima e aproveitei para dar uma espichada até lá, foi uma visita bem rápida, mas o suficiente para matar a saudade. Foi a última vez que vi minha tia Maria com vida e minha vó com todo seu vigor e lucidez.

Agora aos 37, prometi aos meus filhos que os levaria para conhecer a bisavó deles, e esse foi o maior motivador para que eu retornasse a cidadezinha da minha saudade. Uns dias antes perguntei ao meu primo como ela estava e ele me disse que ela estava muito lúcida. Ledo engano. Talvez meu primo, que é na verdade filho de minha prima, do alto dos seus poucos 18 anos, não tenha tido tempo suficiente para vivenciar o vigor da lucidez da minha vó, toda a sua energia baiana, de mulher trabalhadora, resistente e forte para resistir as brincadeiras mórbidas da vida – ela enterrou todos os seus filhos – agora, aos 96 anos, movimenta-se com dificuldade, demora alguns segundos para responder ao que é perguntado (tem que perguntar 2 ou 3 vezes antes dela responder), de memória falha, lembrou-se de minha mãe, mas não de mim, um sentimento de frustração me dominou, mas compreendi. No segundo dia, sentado ao lado dela, assistindo televisão, ela vira-se para mim e pergunta: “E o Sandro? Casou?”. Fiquei meio atônito com a pergunta e respondi: “O Sandro sou eu vó. O Sandro sou eu vó” (2 vezes para ter certeza que ela tinha compreendido). Percebi seus olhos marejados e suas mãos num entrelaçar frenético, entendi que ela tinha se lembrado, então ela responde: “Eu só lembro de você pequenininho”, e eu disse: “Mas eu cresci vó, casei e esses são seus bisnetos”. Nesse momento meus olhos já estavam pra lá de marejados. Uma noite aconteceu algo que faria as lágrimas rolarem sobre meu rosto. Já estava duvidando da lucidez da minha vó ou se ela percebia o que acontecia em volta dela. A Minha vó já tem algumas dificuldades inerentes a alguém que está perto de completar 100 anos, movimenta-se com dificuldade e não consegue controlar muito bem o fluxo das suas necessidades fisiológicas. Nessa noite, estávamos eu e as crianças na sala, assistindo a um filme, quando vi a minha vó entrar no quarto cedido para que dormíssemos, confesso que como a próxima porta era a do banheiro, achei que ela tinha errado e ia fazer “caquinha” na nossa cama, fui até lá e perguntei: “O que foi vó?”, e ela me respondeu: “Coloquei um alcochoado pra vocês, a noite vai ser fria.” Não consegui segurar a emoção. Percebi que ela ainda estava ali conosco, entendendo e sentindo. Nos dias que seguiram conversava com ela, mesmo que ela não esboçasse reações imediatas ou parecesse distante......eu sabia que ela estava ali.

Na minha despedida, ela falou mais do que todos os dias que ali estive. Pediu para mandar lembranças à minha mãe, desejando felicidades e saúde e eu disse que da próxima vez que ali retornasse queria vê-la novamente, e ela respondeu: “Se Deus quiser”.

Eu sou evangélico, tenho uma crença bem arraigada sobre a representatividade dessa frase, mas dentro de uma espiritualidade geral, colaboramos, ou não, para a concretização de nossas realizações, através de nossas escolhas. E dentro dessa perspectiva, percebo que envelhecer está fora da nossa governabilidade e o que fazemos hoje influenciará a realidade de nossa velhice e vejo que para contribuir positivamente para o meu futuro, tenho que sair da minha rotina sufocante, dedicar um tempo de maior qualidade aos que amo (sem esperar décadas para expressar o que sinto), abstrair dos pensamentos cartesianos (não é fácil para um alto R fazer isso) e amar mais.

“Se Deus quiser” verei minha avó novamente!

“Se Deus quiser” terei uma velhice feliz!

Abraços para todos!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A voz do papai


17.08.08

Este final de semana, por imperiosa necessidade de repouso, ocasionado por uma cirurgia de pequeno porte que fiz na região do septo nasal, úvula-palato e retirada das amígdalas, fui forçado a uma ininterrupta contemplação do alienante objeto de atenção da maioria da família brasileira. Nas idas e vindas das mudanças de canais, deparei-me com uma propaganda de uma operadora de celular, cujo tema era um rapaz que narrava diversas fases da vida, destacando a importância da voz do pai, na orientação, condução, argüição e formatação de seu caráter e conduta.
Hoje que me vejo em situação onde não posso exercer a minha faculdade verbal, tive um daqueles momentos em que a gente tem a confirmação fática daquelas coisas quem sabemos que tem muita importância, mas não pensamos muito sobre o assunto.
Nesses últimos dias, tenho sentido tanta falta de falar com meus filhos que até me espanto, talvez a limitação física faça que essa necessidade se intensifique mais, em todo o caso, com a tônica do comercial que mencionei, tem valido para mim refletir sobre a qualidade das minhas palavras para com meus filhos.
Agora que estou separado, percebo que estava maleitosamente voltando ao velho hábito de quando estava casado, ou seja, deixar os meninos assistindo um desenho ou jogando videogame ou ainda brincado com seus brinquedos, até ai tudo bem, mas não quando agora se tem pouco tempo para compartilhar com eles, todas as suas emoções, frustrações, necessidades. Percebo que estou novamente desperdiçando um tempo precioso e necessário de realmente estar com meus filhos.
De poder conversar e não berrar, responder pacientemente a enxurrada de perguntas (afinal, se você não responder, alguém irá...e que valores e filosofias seu filho estará aprendendo??) Invista seu tempo na qualidade de atenção, pare o que está fazendo e olhe seu filho nos olhos, ele merece.
Quero deixar aqui esse alerta para todos que estão lendo esse pedaço de texto.
Cuidado!! Cuidado com a qualidade do tempo que você está dispensado aos seus filhos, eles precisam de nós, depois não poderemos reclamar se na adolescência eles ficarem “terríveis”, ai iremos querer conversar, e eles com certeza, não estarão “afim”, restará sentar e chorar, secar a goela brigando com eles ou ter um enfarte!!

Pense nisso!
Abraços!