Mostrando postagens com marcador dificuldades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dificuldades. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Porque nossos entes queridos se vão?



Hoje, dia 02 de novembro, quando muitos buscam a lembrança de seus entes queridos, achei propício compartilhar uma experiência pessoal que talvez traga um pouco de alento às pessoas que por vezes se perguntam: Por que Deus permitiu que meu ente querido se fosse?

O meu entendimento acerca da experiência que vou relatar, não tem a ousadia de ser “A” explicação, mas ser talvez, uma outra forma de ver esses acontecimentos trágicos que somos acometidos. Talvez eu me equivoque em algum detalhe (me perdoem os parentes), mas entenderão que o importante é o contexto da história.

Quando eu tinha 6 anos, logo após o meu aniversário, o meu pai faleceu. Foi acidental, e as circunstâncias do acidente não são relevantes para o que quero transmitir aqui, mas talvez eu faça um outro texto só para falar sobre isso, dadas as peculiaridades do acontecido, mas enfim, ele faleceu.
Minha mãe, após algum tempo, acabou conhecendo um senhor, que acabou sendo o companheiro pelo resto da vida dela. Ocorre que este senhor, morava numa grande casa, com muitos quartos, com os pais e algumas irmãs, e nós fomos morar lá também. Com o passar do tempo, o pai dele faleceu, algumas irmãs mudaram para outra cidade, e a casa ficou mais vazia.

Eis que em dado momento resolvemos mudar para Campo Grande, pois havia promessas de emprego e uma situação melhor de vida. Mudamos, e as coisas não foram exatamente como se imaginava (normal, na vida nem sempre é), mas entre os vários trabalhos que o meu padrasto arrumou, o de maqueiro em um hospital foi crucial para mudar a vida da minha tia, irmã da minha mãe.

Minha tia já havia tentado algumas vezes ter um filho, mas infelizmente, havia perdido todos, em grande parte pelo fato de que na cidade que morava não tinha recursos suficientes para ajudá-la ter a criança.

Eis que, pelo fato do meu padrasto ter adquirido algum conhecimento e ter alguns benefícios por ser funcionário do hospital, vislumbrou-se a possibilidade de que minha tia viesse e fizesse um tratamento adequado para que conseguisse ter a criança. Eles mudaram para Campo Grande, e então minha tia finalmente conseguiu ter o tão sonhado filho, uma menina, que hoje também já tem um filho, então hoje, minha tia, desfruta da convivência de uma filha e neto.

Vocês podem estar se perguntando: “Tá! Mas e aí?”. O fato é que se relembrarmos o acontecimento inicial dessa história, teremos o falecimento do meu pai. Desse modo, posso dizer, pelos acontecimentos, que o meu pai precisou falecer, para que a minha prima pudesse nascer.
Alguns podem dizer: “Aaaahhh! Mas foi coincidência!”. Eu não acredito em coincidências. Talvez se meu pai não tivesse falecido, ainda poderiamos estar na minha cidade natal, meus tios também, e ainda sem um filho. Mas o fato é que não foi isso que aconteceu.

Então, dentro deste ponto de vista, uma das opções de resposta à pergunta feita no primeiro parágrafo desse texto, pode ser que Deus permite que os nossos entes queridos partam para que a vida siga seu curso, amadureça e se desdobre naquilo que precisa acontecer. Pode até parecer vago, mas não é, e na grande maioria das vezes só entenderemos com o passar do tempo, na minha história foram anos.

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." Eclesiastes 3:1

As vezes os acontecimentos se desdobrarão em outro núcleo familiar, como foi no meu caso; pode ser com apenas um membro da família; talvez o ente que se foi era o provedor e a família precisará amadurecer para viver com suas próprias pernas, enfim, as possibilidades são muitas, e precisamos estar atentos e não sucumbirmos à tristeza e depressão.

É muito triste quando perdemos um ente querido, e as vezes dois ou mais de uma vez, e precisamos chorar as nossas perdas, e é absolutamente normal ficar triste, mas pelo menos para nós cristãos, temos a promessa que Deus sempre estará conosco nos fortalecendo no caminho, sozinhos ou com apoio dos familiares que ficam, dos amigos e até de desconhecidos, afinal Êle fará o que for preciso para nos consolar e ajudar.

Fique atento aos acontecimentos!

Paz!


Sandro Añez

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O fórceps nosso de cada dia...


Estou nesse período, estudando para um concurso público, esse tão almejado sonho de tantas pessoas em nossa vasta nação. Eu já sou concursado, efetivo, mas quero passar em outro que me dê, evidentemente, uma remuneração melhor. Não são poucas às vezes em que me pego meio desanimado pela quantidade infindável de matérias com todas as suas complexidades, algumas destacam, aterrorizando como um verdadeiro cerberus vindo das entranhas mais baixas da terra, ávido para devorar meu cérebro. Entre essas posso citar a disciplina de raciocínio lógico.....ó céus.....minha lógica não compatibiliza com este raciocínio. E foi exatamente num desses dias de desânimo que comecei a relembrar minhas vitórias para que isso impulsionasse os meus passos.

Relembrei da segunda vitória mais importante da minha, a primeira é claro já foi a de conseguir chegar na frente de alguns milhões de espermatozóides concorrentes...he, he, he.

A segunda foi a do nascimento. Algumas curiosidades são relevantes de serem mencionadas, minha mãe, enquanto gestante da minha pessoa, simplesmente não conseguia comer, porque colocava tudo para fora quase que instantaneamente, só conseguia beber, ainda assim em condições especiais, sendo que qualquer coisa que ela fosse tomar deveria ter passado pelo freezer, e quando o líquido estivesse cristalizado à superfície, ela virava tudo de uma vez, afinal ela não se contentava apenas em beber, ela tinha que afogar com o líquido também......vai entender seu organismo e os desejos desencadeados pelo seu estado interessante.

Na ocasião do meu nascimento, fez o pior frio da história de Corumbá/MS, muitas pessoas pobres morreram de frio, e quanto a mim, o pessoal de branco decidiu me tirar, afinal eu já passava do tempo. Mas o problema é que eu estava muito bem acomodado na barriga da minha mãe, e não estava lá muito disposto a nascer. Minha mãe teve princípio de eclampsia, acompanhado de uma hemorragia que não estancava de jeito nenhum. O resultado foi que a médica que fazia o parto ficou histérica e foram obrigados a chamar um outro médico, este, também teve muito trabalho, pois eu estava com duas voltas de cordão umbilical no pescoço, ou seja, não estava afim de vir para essa terra mesmo, não sei como, mas a solução foi utilizar o fórceps para me tirar. Como minha mãe não comia quase nada, eu nasci com uma anemia grave, sendo que aos três meses, eu precisei fazer uma transfusão de sangue, e isso foi minha salvação, aos 6 meses eu já pesava doze quilos. Entre esse início da minha vida até os dias de hoje, muitas coisas já aconteceram, já estive com várias voltas de cordão de problemas no pescoço, já fui arrancado a contra gosto pelo velho e conhecido fórceps diversas vezes no meu aprendizado, muitas vitórias e fracassos se sucederam, mas o mais importante que guardo destes episódios, é que em determinados momentos de nossas vidas, nos vemos em situações que querem nos obrigar a sair da barriga da mamãe, de nossa zona de conforto, e acabamos lutando contra, mesmo que de forma inconsciente. Isso acontece até mesmo com os perfis mais desafiadores, afinal gostamos do conforto, do bem estar, e lutamos mais ainda quando tudo aquilo que demoramos eras para conquistar, está ameaçado por qualquer que seja o motivo. Mas eu entendo hoje que ciclicamente, somos compelidos, pela vida, pela economia, pelas pessoas, por Deus, a estarmos nos renovando, metamorfoseando, para as novas etapas que trilharemos. Já vejo as mudanças com nova perspectiva, o fórceps não é tão mais necessário. Desse modo, olho para o céu e agradeço pela minha vida, minhas experiências, minhas cabeçadas, minhas vitórias, meus filhos...tudo me impulsiona para a frente e o tempo é meu parceiro.