quinta-feira, 10 de março de 2016

Quanta autenticidade!!!!!


Ao tatear as mídias digitais a procura de notícias que não tratassem de apelações partidaristas ou que escorressem sangue, me deparei com o comentário do Pai da ex-BBB Ana Paula, expulsa do programa por esbofetear a cara de outro participante no referido reality, ele dizia: “Ela é muito autêntica”.
Fiquei avaliando por alguns minutos a quantidade de vezes que nos deparamos com situações na mídia artística onde as pessoas são alcunhadas com esses apelidinhos amenizativos, percebi que ao longo do tempo foram inúmeras personalidades que ganharam da mídia esses lucrativos nomes, sim, lucrativos, afinal a mídia se alimenta daquilo que aumenta a audiência, polêmicas, desgraças e bafões, seja a “saudosa” velhinha que de dez palavras, sete eram palavrões e três de duplo sentido, mas agraciada com a alcunha de irreverente, seja o fofo apresentador que quando não vai com a cara do entrevistado o desqualifica e humilha, mas conhecido pela sua “inteligência”, seja o apresentador gritante, de elocubrações dúbias, promíscuas e satíricas, desfilando com seus “big ben’s” de pulso e é chamado de excêntrico.
Fico lembrando que a única vez que eu tentei ser “autêntico” com minha mãe, levei um tapão na boca do qual me lembro até hoje. Dou graças a Deus por isso, porque naquela hora minha amada e doce mãe, me ensinou um princípio que carrego comigo até hoje, limites. Exatamente os limites que percebo estarem se tornando demasiadamente elásticos nas crianças, e hoje, acabando por tornarem-se esses adultos, irreverentes, excêntricos, etc. Adultos esses que não respeitam o limite do outro, desbocam-se em verborragias achando que são as pessoas mais certas do mundo e os que o cercam não fazem mais que a obrigação de escutá-los e acharem lindo o tear de impropérios vomitados de seus cérebros deusificados. Pior ainda quando isso vem acompanhado do aval paterno ou materno que acham linda a atuação da sua prole.
Mencionei a mimadinha imatura do BBB por se tratar da polêmica do momento, mas nem  precisamos de exemplos televisivos, basta olharmos ao nosso redor para percebermos a quantidade de pessoas que cultivam essa personalidade “autêntica”, do “balacobaco”, do “pópópó”. Pessoas que fazem questão de mostrarem que são “fortes”, mas que na verdade escondem atrás dessas muralhas de atitudes controversas, a inépcia para o diálogo e falta de inteligência para argumentação, recorrendo ao descarrego de desrespeitos.
Cada vez mais, nessa fase decadente de sociedade que atravessamos, dizer o que pensa, da forma que quiser, é sinal de pessoa forte, destemida, vencedora, ledo engano, só mostra o despreparo de ser humano, a falta de respeito com o próximo, a dureza de coração e a altivez egocêntrica mental.
Com esses adultos não gasto meu latim, a vida cuidará de quebrá-los e remoldá-los, permitindo ou não, haja vista que os pais não se deram o trabalho de investir em suas educações morais e de valor. Preferiram achar lindo a personalidade “forte” de uma criança que decide o que quer ou não quer fazer. Psicologia moderna essa que inverte os valores de adultos e permeia as mídias com notícias espetaculosas, sangrentas e verborrágicas, providas por esses mesmos adultos inconsequentes.

Quero ressaltar que os dicionários de plantão, autêntico significar ser verdadeiro, legítimo, genuíno, fidedigno, puro, etc. Se esse lixo comportamental que permeia o mundo é a verdade e pureza para alguns, realmente nossa sociedade vai de mal a pior.