
Estou nesse período, estudando para um concurso público, esse tão almejado sonho de tantas pessoas em nossa vasta nação. Eu já sou concursado, efetivo, mas quero passar em outro que me dê, evidentemente, uma remuneração melhor. Não são poucas às vezes em que me pego meio desanimado pela quantidade infindável de matérias com todas as suas complexidades, algumas destacam, aterrorizando como um verdadeiro cerberus vindo das entranhas mais baixas da terra, ávido para devorar meu cérebro. Entre essas posso citar a disciplina de raciocínio lógico.....ó céus.....minha lógica não compatibiliza com este raciocínio. E foi exatamente num desses dias de desânimo que comecei a relembrar minhas vitórias para que isso impulsionasse os meus passos.
Relembrei da segunda vitória mais importante da minha, a primeira é claro já foi a de conseguir chegar na frente de alguns milhões de espermatozóides concorrentes...he, he, he.
A segunda foi a do nascimento. Algumas curiosidades são relevantes de serem mencionadas, minha mãe, enquanto gestante da minha pessoa, simplesmente não conseguia comer, porque colocava tudo para fora quase que instantaneamente, só conseguia beber, ainda assim em condições especiais, sendo que qualquer coisa que ela fosse tomar deveria ter passado pelo freezer, e quando o líquido estivesse cristalizado à superfície, ela virava tudo de uma vez, afinal ela não se contentava apenas em beber, ela tinha que afogar com o líquido também......vai entender seu organismo e os desejos desencadeados pelo seu estado interessante.
Na ocasião do meu nascimento, fez o pior frio da história de Corumbá/MS, muitas pessoas pobres morreram de frio, e quanto a mim, o pessoal de branco decidiu me tirar, afinal eu já passava do tempo. Mas o problema é que eu estava muito bem acomodado na barriga da minha mãe, e não estava lá muito disposto a nascer. Minha mãe teve princípio de eclampsia, acompanhado de uma hemorragia que não estancava de jeito nenhum. O resultado foi que a médica que fazia o parto ficou histérica e foram obrigados a chamar um outro médico, este, também teve muito trabalho, pois eu estava com duas voltas de cordão umbilical no pescoço, ou seja, não estava afim de vir para essa terra mesmo, não sei como, mas a solução foi utilizar o fórceps para me tirar. Como minha mãe não comia quase nada, eu nasci com uma anemia grave, sendo que aos três meses, eu precisei fazer uma transfusão de sangue, e isso foi minha salvação, aos 6 meses eu já pesava doze quilos. Entre esse início da minha vida até os dias de hoje, muitas coisas já aconteceram, já estive com várias voltas de cordão de problemas no pescoço, já fui arrancado a contra gosto pelo velho e conhecido fórceps diversas vezes no meu aprendizado, muitas vitórias e fracassos se sucederam, mas o mais importante que guardo destes episódios, é que em determinados momentos de nossas vidas, nos vemos em situações que querem nos obrigar a sair da barriga da mamãe, de nossa zona de conforto, e acabamos lutando contra, mesmo que de forma inconsciente. Isso acontece até mesmo com os perfis mais desafiadores, afinal gostamos do conforto, do bem estar, e lutamos mais ainda quando tudo aquilo que demoramos eras para conquistar, está ameaçado por qualquer que seja o motivo. Mas eu entendo hoje que ciclicamente, somos compelidos, pela vida, pela economia, pelas pessoas, por Deus, a estarmos nos renovando, metamorfoseando, para as novas etapas que trilharemos. Já vejo as mudanças com nova perspectiva, o fórceps não é tão mais necessário. Desse modo, olho para o céu e agradeço pela minha vida, minhas experiências, minhas cabeçadas, minhas vitórias, meus filhos...tudo me impulsiona para a frente e o tempo é meu parceiro.
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