Ao tatear as mídias digitais a procura de notícias que não
tratassem de apelações partidaristas ou que escorressem sangue, me deparei com
o comentário do Pai da ex-BBB Ana Paula, expulsa do programa por esbofetear a
cara de outro participante no referido reality, ele dizia: “Ela é muito
autêntica”.
Fiquei avaliando por alguns minutos a quantidade de vezes
que nos deparamos com situações na mídia artística onde as pessoas são
alcunhadas com esses apelidinhos amenizativos, percebi que ao longo do tempo
foram inúmeras personalidades que ganharam da mídia esses lucrativos nomes, sim,
lucrativos, afinal a mídia se alimenta daquilo que aumenta a audiência,
polêmicas, desgraças e bafões, seja a “saudosa” velhinha que de dez palavras,
sete eram palavrões e três de duplo sentido, mas agraciada com a alcunha de
irreverente, seja o fofo apresentador que quando não vai com a cara do
entrevistado o desqualifica e humilha, mas conhecido pela sua “inteligência”,
seja o apresentador gritante, de elocubrações dúbias, promíscuas e satíricas,
desfilando com seus “big ben’s” de pulso e é chamado de excêntrico.
Fico lembrando que a única vez que eu tentei ser “autêntico”
com minha mãe, levei um tapão na boca do qual me lembro até hoje. Dou graças a
Deus por isso, porque naquela hora minha amada e doce mãe, me ensinou um
princípio que carrego comigo até hoje, limites. Exatamente os limites que
percebo estarem se tornando demasiadamente elásticos nas crianças, e hoje, acabando
por tornarem-se esses adultos, irreverentes, excêntricos, etc. Adultos esses
que não respeitam o limite do outro, desbocam-se em verborragias achando que
são as pessoas mais certas do mundo e os que o cercam não fazem mais que a
obrigação de escutá-los e acharem lindo o tear de impropérios vomitados de seus
cérebros deusificados. Pior ainda quando isso vem acompanhado do aval paterno
ou materno que acham linda a atuação da sua prole.
Mencionei a mimadinha imatura do BBB por se tratar da
polêmica do momento, mas nem precisamos
de exemplos televisivos, basta olharmos ao nosso redor para percebermos a
quantidade de pessoas que cultivam essa personalidade “autêntica”, do “balacobaco”,
do “pópópó”. Pessoas que fazem questão de mostrarem que são “fortes”, mas que
na verdade escondem atrás dessas muralhas de atitudes controversas, a inépcia
para o diálogo e falta de inteligência para argumentação, recorrendo ao
descarrego de desrespeitos.
Cada vez mais, nessa fase decadente de sociedade que
atravessamos, dizer o que pensa, da forma que quiser, é sinal de pessoa forte,
destemida, vencedora, ledo engano, só mostra o despreparo de ser humano, a
falta de respeito com o próximo, a dureza de coração e a altivez egocêntrica
mental.
Com esses adultos não gasto meu latim, a vida cuidará de quebrá-los
e remoldá-los, permitindo ou não, haja vista que os pais não se deram o
trabalho de investir em suas educações morais e de valor. Preferiram achar lindo
a personalidade “forte” de uma criança que decide o que quer ou não quer fazer.
Psicologia moderna essa que inverte os valores de adultos e permeia as mídias
com notícias espetaculosas, sangrentas e verborrágicas, providas por esses mesmos adultos inconsequentes.
Quero ressaltar que os dicionários de plantão, autêntico
significar ser verdadeiro, legítimo, genuíno, fidedigno, puro, etc. Se esse
lixo comportamental que permeia o mundo é a verdade e pureza para alguns,
realmente nossa sociedade vai de mal a pior.

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