domingo, 30 de novembro de 2008

Frankestein...


19/01/2007 11:31


Outro dia, estive participando de um processo seletivo, desses que tem aquelas dinâmicas cujos objetivos não entendemos muito bem, mas torcemos para estarmos saindo o melhor possível. Nessa em particular, havia a necessidade de responder a cinco perguntas pessoais, fazendo uma bandeira onde as respostas deveriam ser gravuras ou desenhos. Para uma dada pergunta, onde era indagado o que a pessoa considerava ser necessário mudar na sua vida, um participante colou uma figura do Frankenstein e argumentou que tinha muito medo de se tornar um robô, ou uma criatura de hábitos controlados, sem vontade ou a mercê do seu criador. Ao final da dinâmica, a psicóloga fez um breve comentário sobre essa argumentação, dizendo que o oposto também poderia ser verdade, ou seja, as pessoas poderiam mudar pra melhor, aperfeiçoando suas atitudes em benefício próprio, o sapo poderia virar príncipe. Entendo que os dois estejam certos, mas com óticas diferentes. Percebo o desalento do aflito amigo, pois vivemos (já algum tempo) numa época de grande competitividade e mutabilidade. Quanto menos esperamos, aparece um “guru” que nos informa a qualidade/habilidade/capacidade/ inteligência que devemos ter para ficarmos na “crista da onda” dos, salvo exceções, headhunters mercenários de plantão. Desse modo, temos de um lado os gurus, que reinventam a roda diuturnamente, afinal, os seus surtos de iluminação, estão amparados em nada mais e nada menos, nos princípios na velha – Educação Moral e Cívica – anti didáticamente ministrada em nossa infância (pelo menos na minha) e já muito esquecida, ou as bases filosóficas orientais, físicas, esotéricas ou ainda na esmagadora maioria das vezes, tirada do livro mais vendido no mundo (e menos lido), a Bíblia. De outro lado, pencas de RH’s despreparados que se limitam a seguir cartilhas, torcendo para as coisas encaminharem de acordo com o “script”, onde muitas vezes, sem o básico do potencial criativo e crítico, ficam satisfeitos e soltar vez ou outra uma frase de efeito, daqueles gurus, lembra? E os empresários, os donos, os CEO’s, que nadam são sem suas equipes, ficam observando as dinâmicas, se esforçando pra “pegar um insight” e descobrir aquele talento que irá revolucionar toda ou alguma área sua empresa. E nesse fogo cruzado, coitados, estão os candidatos multifacetados, ávidos devoradores de revistas especializadas em RH, tentando descobrir qual a qualidade/habilidade/capacidade/ inteligência mais solicitada no momento pra conseguir aquela oportunidade de ouro. Encaixam-se aí, as aflições do meu colega/concorrente. Muitos, estão perdendo a identidade. Já não sabe ao certo, quais são seus valores, ou o que realmente é capaz de realizar. Alguns exasperam na capacidade brasileira, inata, de atuação, que digam nossos políticos, revelando-se ótimos atores e atrizes, dignos da telinha global e alienante, mas quando são solicitados ao “vamu vê”, é só decepção. Considero que cada pessoa, deva saber e entender quem realmente é, quais as verdadeiras qualidades/habilidades/ capacidades/inteligências e aprimora-las, e também identificar àquelas onde o seu potencial é reduzido e desenvolvê-las, e acima de tudo, esteja bem certo de onde quer chegar, ou qual o seu sonho. Sem um sonho, as pessoas vivem miseravelmente o hoje, tentando preencher verdadeiras fossas abissais dentro de si mesmas. Mas tenha certeza de estar sonhando o seu sonho, não o dos outros. Outra coisa, lembra que eu disse que os gurus, se apóiam muito na Bíblia para emplacar suas “descobertas revolucionárias”? Que tal começar a lê-la? É uma ótima resolução para 2007. (também é para 2008, 2009, 2010....)

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