
Ao fazer uma prospecção de venda numa empresa sobre uma ferramenta de avaliação de perfil comportamental, deparei-me com uma situação interessante, enquanto fazia a apresentação para um dos sócios, o outro chegou depois e já queria saber quanto aquele trabalho iria custar, afinal, segundo ele, a situação era complicada e qualquer despesa era muito para a fase que a empresa passava. Segundo ele era melhor pagar o valor do trabalho, contratando um vendedor que traria faturamento para a empresa. E ele já estava ficando mais na empresa mesmo, para “observar o povo”, e já estava incorporando os modelos de organização de outras empresas. Bem, a primeira vista, alguns até poderiam dizer que o empresário esteja certo, no entanto, cabe frisar alguns aspectos que nos levam a algumas reflexões:
1) Incorporar “modelos de organização” é uma prática saudável e também uma metodologia da administração moderna chamada benchmarking, no entanto, para aplicação dessa técnica, antes de mais nada, é preciso avaliar a cultura organizacional da empresa, muitas vezes o empresários querem incorporar algo que contradiz aquilo que eles mesmos acreditam. Esquecem-se que a incorporação do modelo implica em agregar novas rotinas, atitudes, procedimentos, que serão implementadas e mantidas pelas pessoas. Essas mesmas pessoas são, por vezes, tratadas como um detalhe, e ainda são sumariamente desprezadas, quando não conseguem realizar os trabalhos e achamos que estão fazendo “corpo mole”. O que muitos empresários não entendem mesmo, é que as novas rotinas devem ser incorporadas na cultura da empresa de forma paulatina e consciente, de acordo com o perfil profissional de cada trabalhador, de outro modo, o processo está fadado ao fracasso.
2) A preocupação com o custo, nunca esteve tão evidente como em nossos dias, mas o “low coust” inteligente, avalia a vantagens e desvantagens dessa redução de custos, principalmente seus reflexos sobre o cliente. Mas ainda a grande maioria das empresas, ainda possuem a política de menor preço e só, gerando desgastes desastrosos em seus funcionários pela compra (ou não) dos materiais necessários para o exercícios das atividades, pelo corte espartano de benefícios, pela falta de treinamento. Tudo isso gera insatisfação naqueles que manipulam os produtos ou realizam os serviços na empresa ou ainda pior, descontam toda sua frustração e impotência no bendito, mas, mal atendido cliente.
3) O grande engano de boa parte dos empresários é de achar que por muito aumentar o faturamento, é sinônimo de lucros maiores. Para esses, o segredo é colocar uma batalhão de vendedores (despreparados, com freqüência) vendendo seus produtos/serviços e faturando, faturando. Esquecem-se de verificar como estão os processos dentro da empresa, e principalmente como estão as pessoas que irão desenvolver os trabalhos, se elas possuem o perfil correto para o cargo, ou ainda se estão motivadas para isso, quando isso não acontece, o que se vê são, retrabalhos, desperdícios e lentidão, consequentemente, o que deveriam ser bons lucros oriundos de produtividades de excelência, resumem-se em parca sobra de caixa, que ainda existe por causa de uma sonegação aqui e ali. Esses empresários, gestores míopes, acabam atribuindo o fato ao mercado, aos políticos, a sogra, etc., e ainda continuam a achar que as vendas são a solução de tudo. Ainda acham que o seu “feeling” é o suficiente para ver qual pessoa é melhor em determinada função, e ficam no processo de experimentação “ad eternum”, perpetuando a mediocridade, a insatisfação e a indolência.
As empresas, independente do seu tamanho, mesmo com uma cultura organizacional retrógrada, até conseguem crescer, mas poderiam crescer muito mais se passassem a valorizar seus funcionários, identificando e alocando seus potenciais de maneira correta, dessa forma, faria uma empresa harmoniosa e preparada para todas as adversidades que o mercado infligir.
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