quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A voz do papai


17.08.08

Este final de semana, por imperiosa necessidade de repouso, ocasionado por uma cirurgia de pequeno porte que fiz na região do septo nasal, úvula-palato e retirada das amígdalas, fui forçado a uma ininterrupta contemplação do alienante objeto de atenção da maioria da família brasileira. Nas idas e vindas das mudanças de canais, deparei-me com uma propaganda de uma operadora de celular, cujo tema era um rapaz que narrava diversas fases da vida, destacando a importância da voz do pai, na orientação, condução, argüição e formatação de seu caráter e conduta.
Hoje que me vejo em situação onde não posso exercer a minha faculdade verbal, tive um daqueles momentos em que a gente tem a confirmação fática daquelas coisas quem sabemos que tem muita importância, mas não pensamos muito sobre o assunto.
Nesses últimos dias, tenho sentido tanta falta de falar com meus filhos que até me espanto, talvez a limitação física faça que essa necessidade se intensifique mais, em todo o caso, com a tônica do comercial que mencionei, tem valido para mim refletir sobre a qualidade das minhas palavras para com meus filhos.
Agora que estou separado, percebo que estava maleitosamente voltando ao velho hábito de quando estava casado, ou seja, deixar os meninos assistindo um desenho ou jogando videogame ou ainda brincado com seus brinquedos, até ai tudo bem, mas não quando agora se tem pouco tempo para compartilhar com eles, todas as suas emoções, frustrações, necessidades. Percebo que estou novamente desperdiçando um tempo precioso e necessário de realmente estar com meus filhos.
De poder conversar e não berrar, responder pacientemente a enxurrada de perguntas (afinal, se você não responder, alguém irá...e que valores e filosofias seu filho estará aprendendo??) Invista seu tempo na qualidade de atenção, pare o que está fazendo e olhe seu filho nos olhos, ele merece.
Quero deixar aqui esse alerta para todos que estão lendo esse pedaço de texto.
Cuidado!! Cuidado com a qualidade do tempo que você está dispensado aos seus filhos, eles precisam de nós, depois não poderemos reclamar se na adolescência eles ficarem “terríveis”, ai iremos querer conversar, e eles com certeza, não estarão “afim”, restará sentar e chorar, secar a goela brigando com eles ou ter um enfarte!!

Pense nisso!
Abraços!

domingo, 30 de novembro de 2008

Perfeição: Essa perfeita utopia!








Noite passada, meu filho estava brincando com um jogo de montar, daqueles cheios de peças retangulares e quadradas com faces imitando tijolos, com desenhos variando de janelas à portas e peças triangulares imitando telhados. É interessante pois ele tem uma criatividade enorme, e fez uma grande montagem do que ele chamou de shopping, era realmente grande, devia ter uns 30 centímetros de altura por uns 20 de largura. Talvez alguém não ache isso muito grande, mas experimente fazê-lo, equilibrando todas aquelas peças, realmente é difícil. Enquanto ele foi me chamar para ver sua obra de arte, seu irmão menor mexeu numa peça da base, deixando-a meio torta. Ele inconformado, decidiu que deveria arrumá-la antes que eu a visse. Pois bem, lá foi ele arrumar a peça, no entanto, ele sabia dos riscos, pois era uma peça da base, e qualquer erro poderia e acabou sendo fatal, e toda a obra de arte veio abaixo.


Quando voltei para ver se ele já tinha arrumado, encontrei-o meio desconsolado, e quando indaguei-o do ocorrido, ele me relatou o “causo” como aqui já escrevi, e é claro jogando a culpa nas costas do irmão, afinal se ele não tivesse mexido... Na ânsia de consolá-lo, disse a ele que a perfeição é uma utopia, uma loucura, e que as vezes é preferível deixar algo “meio torto”, se isso não vai afetar todo o conjunto.


Depois de ter dito essas palavras fiquei reflexivo sobre isso, motivo pelo qual me motivou a escrever sobre o assunto. Voltei-me, invariavelmente, como faço, para as empresas e pessoas, e percebo pelo menos nas empresas que passei ou tive algum contato mais prolongado que existe uma busca frenética e louca pela perfeição, ou perfeccionismo. Tudo deve sair de maneira sincronizada, afinal, “tempo é dinheiro”, e qualquer erro ou imprecisão, pode custar muito ao cofre das empresas. A venda tem de ser perfeita, o projeto tem que ser apresentado de maneira excelente, o atendimento tem sempre que superar, temos sempre que manter a inteligência emocional “da onda”, para estarmos bem colocados ou destacados, perante os “burros emocionais” (esse será o tema de outro texto...aguardem). Mais voltando, temos que estar sempre atentos para o que nos rodeia porque de outro modo poderíamos perder o insight, a oportunidade de ouro e ficaremos desconsolados, mesmo que por um período de tempo. Bem.... no entanto, eu acredito que isso tudo não passa de uma perseguição utópica, a perfeição é inalcançável, pois sempre que você atingir um patamar, já estará defasado, a inteligência emocional da onda, já terá quebrantado na praia e já estará vindo outra, as competências serão outras. Sempre fui a favor da descentralização dos RH´s nas empresas, então veio um guru e disse que o “bicho” era centralizar tudo, e as empresas acompanharam, sobrecarregando os pobres gestores de RH, e agora mais recentemente, saiu um artigo num jornal econômico que tem o seu Valor, um outro guru, dizendo que a descentralização é o melhor caminho. Imagine, que coisa cíclica e quase esquizofrênica, mas não os culpo, são pessoas, e como tal, influenciadas (mesmo que não aceitem isso) pelo meio em que vivem, persuadidas pelo padrão do momento, abalroadas pelas tendências. Não quero que pensem que sou contra a inovação....céus...por Deus.....longe de mim. Muito pelo contrário, acredito que o ser humano é uma fonte inesgotável de criação e como tal deve ser utilizado, mas da maneira como as coisas se encaminham, estamos constantemente reinventando a roda, voltando de forma cíclica as mesmas idéias com nomes diferentes, pois ainda se supervalorizam os métodos e processos e negligenciam-se as pessoas, encaixotando-as numa tendência de pensamento estanque e cartesiano. Tudo isso porque buscamos o tal de perfeccionismo. Nem em nossas vidas não temos perfeição. Que casamento não tem desentendimentos? Que emprego não tem uma questão desagradável, seja um colega ou um cliente? Que cidade não tem criminalidade? Até mesmo a mulher/homem dos nossos sonhos, possui uma falhazinha, porque arrota ou solta pum na hora errada, ou ronca, ou deixa tufos de cabelos na pia e nos ralos dos banheiros, ou fala demais, ou fala de menos.


O fato é que existe uma força que milita incansavelmente contra a perfeição, dia após dia, noite após noite, ela chama-se vontade. Vontade essa traduzida de um inexplicável querer, seja algo, alguma coisa ou alguém. Advinda, invariavelmente do dom mais maravilhoso que Deus possa nos ter dado: o livre arbítrio.


Me lembro de um texto enviado por uma amiga que tem como título: Querer não é poder! E discordo levemente do mesmo. Eu acredito que Querer é poder! Mas acrescento: Desde que você esteja preparado para assumir as conseqüências! Quando meu filho quis arrumar a base que seu irmão havia entortado, ele tomou uma decisão, ele escolheu, só não estava preparado para assumir as conseqüências, cuja possibilidade era a ruína de sua obra de arte, o que de fato aconteceu. E isso acontece demasiadamente em nossos dias, somos levados por uma mídia massificante e palestrantes mercenários que apregoam em nome da motivação que podemos fazer tudo que queremos. Ledo engano, salvo algumas raríssimas mentes mais evoluídas, a esmagadora maioria está fazendo as suas escolhas e está se frustrando porque não conseguem viver com as conseqüências de suas decisões, apenas sobrevivem. Temos então, uma legião de profissionais com uma estampa perfeita para a sociedade e retalhados dentro do seu íntimo.


Jack Welch, em uma de suas muitas entrevistas, disse certa vez que sua maior frustração era ter sido um vencedor como o homem que transformou a GE numa das maiores empresas do mundo, mas ter sido um fracasso como pai de família. E assim está boa parte das pessoas que estão ao nosso redor, e o que dizer, talvez, de você que lê esse texto agora. Por isso, se eu tivesse algum conselho pra te dar, eu diria: Não busque a perfeição imposta, busque o seu aperfeiçoamento!!




Você sabe a diferença entre um bolo feito no forno a gás e um feito no microondas?


Aquele feito no forno a gás, assa de fora pra dentro, por isso temos que espetar um palito no meio dele a todo momento para ver se já ficou pronto.


E aquele feito no microondas, assa de dentro p/ fora, por causa dos raios de microondas que atravessam a massa, desse modo, quando o bolo aparenta estar assado, ele realmente está pronto, totalmente.


Se você usar o método do forno a gás, poderá ter uma “cara boa” rapidinho, isso é fácil, o difícil é agüentar as espetadas dentro do nosso ser mole e instável.


Utilize o mesmo princípio do forno de microondas em sua vida, cuide do seu interior, você verá que saberá lidar muito melhor com o exterior, e se tiver que tomar alguma decisão, saberá trabalhar muito melhor com as conseqüências.

Empresários sábios!......Será????




Ao fazer uma prospecção de venda numa empresa sobre uma ferramenta de avaliação de perfil comportamental, deparei-me com uma situação interessante, enquanto fazia a apresentação para um dos sócios, o outro chegou depois e já queria saber quanto aquele trabalho iria custar, afinal, segundo ele, a situação era complicada e qualquer despesa era muito para a fase que a empresa passava. Segundo ele era melhor pagar o valor do trabalho, contratando um vendedor que traria faturamento para a empresa. E ele já estava ficando mais na empresa mesmo, para “observar o povo”, e já estava incorporando os modelos de organização de outras empresas. Bem, a primeira vista, alguns até poderiam dizer que o empresário esteja certo, no entanto, cabe frisar alguns aspectos que nos levam a algumas reflexões:


1) Incorporar “modelos de organização” é uma prática saudável e também uma metodologia da administração moderna chamada benchmarking, no entanto, para aplicação dessa técnica, antes de mais nada, é preciso avaliar a cultura organizacional da empresa, muitas vezes o empresários querem incorporar algo que contradiz aquilo que eles mesmos acreditam. Esquecem-se que a incorporação do modelo implica em agregar novas rotinas, atitudes, procedimentos, que serão implementadas e mantidas pelas pessoas. Essas mesmas pessoas são, por vezes, tratadas como um detalhe, e ainda são sumariamente desprezadas, quando não conseguem realizar os trabalhos e achamos que estão fazendo “corpo mole”. O que muitos empresários não entendem mesmo, é que as novas rotinas devem ser incorporadas na cultura da empresa de forma paulatina e consciente, de acordo com o perfil profissional de cada trabalhador, de outro modo, o processo está fadado ao fracasso.


2) A preocupação com o custo, nunca esteve tão evidente como em nossos dias, mas o “low coust” inteligente, avalia a vantagens e desvantagens dessa redução de custos, principalmente seus reflexos sobre o cliente. Mas ainda a grande maioria das empresas, ainda possuem a política de menor preço e só, gerando desgastes desastrosos em seus funcionários pela compra (ou não) dos materiais necessários para o exercícios das atividades, pelo corte espartano de benefícios, pela falta de treinamento. Tudo isso gera insatisfação naqueles que manipulam os produtos ou realizam os serviços na empresa ou ainda pior, descontam toda sua frustração e impotência no bendito, mas, mal atendido cliente.


3) O grande engano de boa parte dos empresários é de achar que por muito aumentar o faturamento, é sinônimo de lucros maiores. Para esses, o segredo é colocar uma batalhão de vendedores (despreparados, com freqüência) vendendo seus produtos/serviços e faturando, faturando. Esquecem-se de verificar como estão os processos dentro da empresa, e principalmente como estão as pessoas que irão desenvolver os trabalhos, se elas possuem o perfil correto para o cargo, ou ainda se estão motivadas para isso, quando isso não acontece, o que se vê são, retrabalhos, desperdícios e lentidão, consequentemente, o que deveriam ser bons lucros oriundos de produtividades de excelência, resumem-se em parca sobra de caixa, que ainda existe por causa de uma sonegação aqui e ali. Esses empresários, gestores míopes, acabam atribuindo o fato ao mercado, aos políticos, a sogra, etc., e ainda continuam a achar que as vendas são a solução de tudo. Ainda acham que o seu “feeling” é o suficiente para ver qual pessoa é melhor em determinada função, e ficam no processo de experimentação “ad eternum”, perpetuando a mediocridade, a insatisfação e a indolência.
As empresas, independente do seu tamanho, mesmo com uma cultura organizacional retrógrada, até conseguem crescer, mas poderiam crescer muito mais se passassem a valorizar seus funcionários, identificando e alocando seus potenciais de maneira correta, dessa forma, faria uma empresa harmoniosa e preparada para todas as adversidades que o mercado infligir.